terça-feira, 21 de janeiro de 2014
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Sutil
quinta-feira, 22 de março de 2012
Sublimação

Não sei quando me deixei levar, o momento em que o tempo virou e depois ficou nublado de vez. Sem previsão de céu claro por longos meses.
Quando tento revirar minhas memórias, tão cheias de convicção, não encontro onde tudo se tornou relativo. O dia que passei a enxergar demais o outro lado, o inverso.
Filtrei ao extremo, a ponto de quase não deixar chegar nada ao coração. Nem mesmo deixar bater a porta. Em meio a tempos de incerteza, só tenho sentido saudade.
Saudade da casa vazia e do quarto em silêncio, enquanto meu coração queimava na Tua presença. Dos louvores que saiam do meu radio, dos CDS antigos tocados incessantemente, sempre que acordava ou voltava da escola. Daquele tempo em que ir pra Tua casa era a programação mais esperada da semana, e consumia todo o meu fim de semana. Sinto falta daquela paz em meio a tanta confusão, daquela certeza que me tomava, quando não havia no que ter certeza; das confissões solitárias e do renascimento após cada entrega, das lágrimas que escorriam pelo toque do Espírito Santo, sem explicação, rolavam e não podiam ser contidas; das orações oferecidas a um amigo, certas de que seriam ouvidas. Saudade daquela fé que me mantinha em pé, mesmo descalça e sem ter em que me sustentar.
Eram horas dedicadas ao silêncio, a uma busca desapressada por respostas que certamente viriam. Estudos feitos minuciosamente sobre Sua palavra e descobertas intrigantes, mas cheias de sentido.
Numa realidade estagnada, numa luta diária para que a candeia não se apague, o relógio não pare e a fé não morra, eu encontro muitos da mesma forma, que ainda tem forças e se agarram ao último fio que ainda não arrebentou. Enxergam as fibras cedendo, incertos, com medo, mas firmes até que venha o socorro.
E lá no fundo, no quarto mais íntimo desse coração, abafada por muitos obstáculos, há uma voz que grita...
o meu socorro vem do Senhor.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Retrospectiva

O ano de 2011 foi o que chamam por aí de mudança radical, com mais curvas que descida de serra. Não foi um ano que posso chamar de O Ano da Minha Vida, mas com certeza ele chegou chegando, tipo fanfarra em 7 de Setembro.
Comecei 2011 com um fôlego novo, abarrotada de incertezas quanto a tudo. Vale a pena voltar? Vale à pena arriscar e jogar tudo pro alto? O que vai acontecer? As perguntas eram tantas que se misturavam com os fios da minha cabeça.
Troquei a cidade das oportunidades pela pequena e previsível Catanduva. Deixei a Av. Paulista e seus deliciosos cafés, o Ibirapuera, os teatros, o trânsito infernal, os amigos e a correria que tomou conta da minha vida e que com absoluta certeza, sinto falta. Mas também ganhei o que é mais valioso na pós-modernidade: tempo.
Tempo pra pensar, tempo pra arriscar, tempo pra mudar, tempo pra viajar, tempo pra namorar...
O ano virou e eu precisava virar com ele. Ou melhor, se virar com ele.
Voltei pra casa dos meus pais, depois de 9 anos morando sozinha, e adaptar-se de novo, acredite, não é lá uma das melhores experiências. Embora sejam muito compreensivos, nunca é como foi. E quem já passou por isso, sabe o que quero dizer.
2011 também trouxe muitas surpresas... Depois de várias saidinhas, conversas e aquele clima no ar, comecei a namorar. Vivi um ano maravilhoso, experiências que até então nunca tinha experimentado. Ganhei flores, jantarzinho romântico, presentes. Conheci um universo que era distante pra mim. O do afeto verdadeiro, da preocupação recíproca, do olhar no olho, do cuidado, do carinho e respeito. Aprendi que compartilhar traz sim felicidade, e que ser individualista, no fim das contas, é ser sozinho. Meus finais de semana tornaram-se agitados, minhas semanas cheias de saudade, e meus feriados sempre contados na folhinha.
Cuidar da auto-estima é sempre válido. Entre umas leituras curiosas pela internet, algumas pesquisas no Google, resolvi que queria mudar. Marquei uma consulta, perguntei, perguntei de novo, e fiz mais algumas perguntinhas pra então, fazer aquela blusinha ganhar um pouco mais de volume.
Também aposentei todos os potinhos, soluções fisiológicas e as terríveis lentes de contato que volta e meia causavam vermelhidão, coceira e secura nos meus enormes olhos. The End 5 graus de miopia.
Profissionalmente, enfrentei e tenho enfrentado o maior desafio da minha vida: construir uma carreira. Montei meu próprio consultório, junto com minha irmã também dentista, e descobri na pele o que é chamado: mercado de trabalho saturado. A luta pela conquista de cada paciente, pelo pagamento das contas, pela responsabilidade profissional. A ansiedade que tudo isso traz. O quão difícil é tornar-se independente.
Mesmo em meio à dificuldade da profissão, a vontade é maior. Comecei minha especialização em Implantodontia na USP, o que tem me trazido muitas alegrias. Encontrei-me nesse curso. Tenho me realizado a cada clínica, a cada aula assistida. Tenho certeza que é isso que quero fazer, e fazer com excelência.
O curso me trouxe mais que conhecimento, também me trouxe amigos. Conheci pessoas incríveis e que espero levar comigo. Dividimos experiências profissionais, os mesmos medos e ansiedades, mas também compartilhamos muitas risadas, saidinhas de quinta, churrascos. Estava realmente precisando disso.
Espiritualmente, com certeza, foi o ano mais difícil pra mim. Sei que ganhei muitas bênçãos sem merecer, e sou muito grata a Deus por tudo. Tudo mesmo. Cada amizade nova e antiga, cada momento, cada resina do consultório, cada conta paga, cada dia vivido, cada noite dormida. Mas sei que não fui uma filha obediente, não me dediquei a aprender mais sobre Ele, não dediquei o meu tempo a mais pra estar com Ele. Percebi que é bem verdade que nas nossas maiores alegrias, muitas vezes nos esquecemos de quem nos possibilita viver cada uma delas. Mas esse próximo ano será diferente. Vou me esforçar para que seja assim.
Pois é, 2011 já se foi, e voou. Começo a ter certeza que os anos tem se encurtado e cada dia tem que ser muito bem aproveitado, antes que quem a gente ame não esteja mais por perto.
Não vou fazer mil promessas de ano novo, porque elas acabam logo depois dos fogos de artifício. Só quero agradecer por todos aqueles que estiveram presentes na minha vida esse ano. Minha família, pelo apoio incondicional, vocês são minha maior segurança, não teria conseguido nada sem vocês; meus amigos de muito longe, de longe e de perto, com vocês a vida tem muito mais graça, estou sempre com saudades, vocês são muito importantes para mim, cada um a seu modo; meu namorado, obrigado amor, por sempre me ouvir e pela cumplicidade, esse ano foi ótimo pra gente; e a todas as outras pessoas que de alguma forma são importantes na minha vida. Amo vocês.
Desejo a quem ler esse texto que 2012, você faça tudo aquilo que sua mente preguiçosa diz: “ahh, depois eu faço.”
Com carinho,
Annie
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Ansiedade

Ansiedade: Angústia, aflição, grande inquietude.
Desejo veemente, impaciência, sofreguidão, avidez.
Ansiedade é tudo isso aí sim, mas para mim é também incerteza e medo. Uma sensação que está fora de controle, em que o domínio-próprio dá de ombros pro tufão que ela provoca dentro de mim. Varre tudo, faz meu chão virar teto, empilha toda as minhas certezas num canto da parede, soterra minha segurança e sacode tudo que pode, até conseguir cobrir o que resta de poeira e entulho.
E assim, como Drag Queen, ela passa, nada discreta.
Lidar com ela não é fácil. Acorda-te antes do seu relógio biológico, intromete-se no seu pensamento e dá um jeito de acelerar seu coração, liberando adrenalina sem permissão.
E antes só desse as caras por paixão, aí sim a vida seria um cup cake...colorida, confeitada e doce. Mas não. Não é.
A ansiedade te imobiliza, te deixa atônita e interfere na sua capacidade de raciocínio e ação. Traz desesperança e paralisia.
Queria eu ter calma...mas eu não mando na minha supra-renal.
Não saber como será amanhã, se haverá progresso, onde vou estar, com quem, em que situação é como pisar em um lago de gelo, não tão sólido quanto parece.
Sempre que me encontro nessa situação, me vem as palavras de Cristo:
“Por isso vos digo: Não estejais ansiosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer, ou pelo que haveis de beber; nem, quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestuário? Mt. 6:25
É. É sim. A vida é mais do que tudo isso.
Mas faz parte da natureza humana a fragilidade, a falta de fé e a tendência a olhar para o agora. E se o agora não está bom, pronto. É suficiente pra ansiedade dar as caras. Sempre a mesma cara de idiota.
Dane-se ela! Cara feia pra mim é fome. E se ela está com tanta fome assim, que se alimente de cesta básica, porque eu não vou doar 1kg de alimento não perecível.
Em meio ao tufão, ainda me apego àquilo que sempre me moveu.
Se a ansiedade é a incerteza daquilo que não se vê, a fé é justamente o oposto: a certeza das coisas que não se veem... e essa já me trouxe muito mais alegria.
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Abstinência de amigos

Não sei porquê cargas d’água, hoje é chamado dia do amigo.
De qualquer forma a data foi suficiente pra me inspirar a arrancar as teias grudadas nos cantos das paredes desse blog.
Falar de amigos é falar de tesouros, e a cada olho aberto pela manhã, percebo que realmente eles são preciosos e não são encontrados pelo localizador de amigos. Amigos são conquistados, são relacionamentos construídos.
Faz-se um amigo no dia que tudo dá errado e um abraço te aparece na hora do desespero. Faz-se um amigo, quando há dor, quando da perda de alguém ele está lá, mudo, sem saber o que dizer, mas lá. Faz-se um amigo quando ele cresce com você, divide a mesma vizinhança, sobe na mesma goiabeira, pula na mesma amarelinha.
Faz-se um amigo quando se apaixona pela primeira vez por um carinha e ele ouve as juras de amor eterno, que não subsistirá a primeira decepção. Faz-se um amigo quando seu chuveiro queima e ele te oferece um banho quente. Faz-se um amigo quando ele te ajuda naquela fase de vestibular, parando seus estudos pra te ensinar a bendita física. Faz-se um amigo quando ele abre mão de outros compromissos pra apagar a vela do seu 50º aniversário junto a você.
Descobre-se um amigo quando você se sente uma prioridade, se sente importante, se sente perto. Quando se chora junto, se ri, se vive junto, se dói junto.
Faz-se amigo aquele que te ama.
Já não é de hoje minha carência por amigos, nem minha tristeza em saber que os meus tesouros mais preciosos estão distantes, espalhados por esse país. Queria poder uni-los ou viver mais perto deles. Carregá-los na minha mochila. Não se fazem mais amizades como antigamente. Ou eu não sou mais como antigamente. Sinto que as pessoas não se deixam descobrir. Afastam-se. Tornam-se virtuais. Não as encontro mais nas filas dos mercados, na igreja, no trabalho, na rua.
Não as visito mais, não as encontro naqueles filmezinhos na casa de uma delas, nos quais eu sempre dormia no trailer, rs . Só as encontro no FB, MSN, twitter e skype. E sempre de passagem.
Mas hoje...hoje eu só queria estar com vocês, meus amigos.
Vocês não são muitos, mas são por demais amados.
Feliz dia do amigo!
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Artesanato
Essa é pras meninas!
Aí embaixo está a foto da minha última criação: uma caixinha porta-tudo.
Estou trabalhando em outra, mas ainda não está terminada.
Espero que gostem.
[clique sobre a imagem para ampliá-la]Descrição: caixa em MDF; tinta acrílica rosa, decoupage na tampa em guardanapo floral, barrado adesivado, xadrez em tecido, acabamento com passamanaria e fita de cetim rosa. Toda envernizada externa e internamente.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Com você.
Três horas de viagem.
Mais uma vez estava eu no meu assento, olhando através do vidro da janela e deixando meus pensamentos soltos, com uma preguiça de segurá-los em minha mente.Vagavam. Como guardas em horário de ronda, sondavam repetidas vezes caminhos desertos, quase sem movimento, buscando encontrá-lo. Era rotina. Estava acostumada com a independência e não ter te conhecido até aquele momento era sentir que parte de mim ainda tinha muito do que se alegrar.
Sessões de cinema, compras, saídas noturnas, decisões, escolhas, sempre foram individualistas até você chegar e fazer eu perceber que a matemática pode errar e que divisão também resulta em soma.
Agora que te encontrei, quero descobrir-te.
Descobrir se és dia ou noite, praia ou campo. Se prefere café ou chá, se sua testa fica enrugada quando está preocupado, se gosta de MPB ou sertanejo. Descobrir se você chora e porque choras, saber o que te deixa constrangido e o que te faz sentir confortável. Se tem medo e do que os têm, o que te causa pânico, se cozinha bem, se um filme é capaz de emocioná-lo, se és manhoso quando fica doente ou se finge ser inabalável.Quero descobrir uma parte de você que só aflora quando em minha presença, sentir saudades ao ouvir sua música preferida, ouvir seu coração em solavanco quando te beijo e sua palpitação quando encosto meu ouvido ao seu peito. Quero poder acordá-lo com um telefonema no meio da noite, só pra poder dizer que sinto sua falta. Saber qual é sua reação quando perde e como comemora suas vitórias. Quero saber o nome do seu perfume e qual a roupa que não tira do corpo.
Quero poder correr e depois pular em você entrelaçando minhas pernas a sua cintura, assim como meu coração está entrelaçado ao seu, sem nós, atados de forma precisa.
Depois de alguns anos, cá estou de novo, sentada na mesma poltrona. Mas desta vez, de todas as minhas vontades, o que mais quero é chegar, sair dessa poltrona e matar a saudade da minha metade que ficou em você, desde a última vez que te vi.
Aquela vez, quando você sorriu e acenou pra mim, no dia em que descobri o que é estar apaixonada.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Tesouro
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Bobo

Uma mecha desprendeu-se detrás da orelha da moça. O rapaz tímido apressou-se em recolocá-la no lugar, antes mesmo que ela notasse os fios dispersos a enroscar em seus lábios.
Ele já a pesquisara por semanas, sabia interpretar suas feições e era capaz de enxergar a ruga que se formava em sua testa quando a notava preocupada. Ele não era do tipo comum, mas era exatamente isso que a atraia. O mistério, o conteúdo não deixado a mostra na vitrine.
Não gostava de padrões, interessava-se por aquilo que não era óbvio e adorava o jeito acanhado com que a cortejava, ruborizado, sem saber ao certo onde colocar as mãos quando em sua presença.
Era bobo ao convidá-la pra sair, ao entregar-lhe os lírios mais desabrochados num dia qualquer, ao gaguejar quando ficava nervoso, ao achá-la linda mesmo usando uma Hering e um jeans surrado, ao deixar bilhetes com os recados mais doces que já lera, ao dançar todo descompassado e ao tentar demonstrar todo aquele desejo de estar o máximo de tempo possível ao lado dela.
A moça foi incapaz de manter-se indiferente aquela novidade que a capturara. Sentiu-se prestes a encaixar-se na parte de si que andava desgarrada. Não pode conter-se, mesmo que a decisão implicasse em ferir seu instinto auto-protetor, prometido repetidas vezes não ser quebrado.
A forma com que sua cabeça encontrava o ombro do rapaz, seus dedos finos e delicados entrelaçando-se aos dele, sua cintura sendo contornada pelo pouso preciso das mãos do moço e suas idéias e convicções fundindo-se as dele a fez perceber que o encaixe era preciso, tal como peças de quebra- cabeça, únicas, se encaixando com tamanha precisão.
Ela sentiu paz e deu-se conta de que ele não era qualquer rapaz .
Era bobo.
E era dessa bobeira que ela tanto precisava.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Inconformismo não é relativo
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Corre

A mochila tornou-se uma casa, onde é possível encontrar tudo o que é necessário para passar um dia morando dentro dela. Agasalho, óculos escuros, protetor solar, ipod, bilhete único e um guarda chuva reforçado é o kit de sobrevivência de qualquer um que se arrisque a viver na metrópole.
São Paulo te encolhe e faz você acelerar o passo, como os atletas fazem naquelas corridas de marcha atlética (engraçadíssima, por sinal).
Não há tempo de olhar para os lados e muito menos parar para dar uma informação, pois são esses preciosos cinco minutos que farão você perder o ônibus para chegar ao trabalho.
Como uma turista que leva uma máquina fotográfica pendurada ao pescoço e usa um chapéu cor cáqui, logo sou reconhecida pelo paulistano. Quem vive aqui reconhece de cara aquele que não pertence a cidade. Seja pela disposição para conversar, seja pelos costumes interioranos.
Se não fosse provado que a Terra gira em torno do Sol, eu não duvidaria que o paulistano acreditasse que todo o sistema solar girasse em torno de SP. Aquele que não é daqui, ou é caipira ou é estrangeiro.
Ledo engano!
Há vida fora de São Paulo, uma vida simples, mas cheia de significado.
Talvez um refúgio para aqueles que não sabem o que é ouvir o silêncio e enxergar a Lua, invisível a olhos cobertos por poluição.
Embora a capital sugue as suas energias e te transforme em um ser produtivo, criado exclusivamente para o trabalho, ela também estende os seus braços, com uma amplitude ímpar. Te acolhe, te abriga e te ensina a andar no seu ritmo.
Não tropece, porque atrás de você sempre haverá uma multidão com muita pressa.
quinta-feira, 4 de março de 2010
A Saudade

Ela chega em um dia qualquer, em um momento qualquer e te toma de forma inesperada.
Sacode-te e deixa espalhar lembranças como o vento faz com as folhas das copas antes da tempestade. Toma conta dos seus sentidos e vasculha sua memória resgatando cheiros, perfumes, imagens, vozes e sensações há muito tempo esquecidas.
O aroma do café, o perfume de alguém, um rosto conhecido, um lugar, uma gargalhada engraçada, uma expressão facial, uma música que te transporta, uma foto, um abraço, uma voz.
É magnífico o modo como as conexões neuronais se inter-relacionam, de forma a levá-lo a uma sensação já vivida em fração de segundos.
Revive-se dentro deste instante, momentos eternizados na memória.
Incontáveis são os meus momentos e pra cada um deles há uma lágrima derramada, seja ela de tristeza, seja de alegria.
Sinto falta de pessoas, de lugares, de risadas e principalmente de demonstrações de afeto.
Falta de relacionamentos mais sinceros, mais desinteressados e mais humanos.
Falta de conselhos sábios, de uma mão acolhedora, de um olhar compadecido e desesperadamente de uma sociedade menos umbilical.
Também sinto saudade daquele que não conheço, daquele que não sei quando nos encontraremos, mas que há muito tempo...já me faz falta.
Sinto falta da minha melhor parte que se perdeu, aquela que despertava espontaneamente, que não tinha vergonha, que mostrava língua para o medo. Aquela parte que ria de si mesma, que se emocionava com filmes bobos, que era desprendida de olhares acusadores, que se auto-regenerava após a frustração e renascia com mais força.
Mas viver só de saudade também não faz bem, porque ela te consome e vai minando seu desejo por outras novas sensações, aquelas que você ainda não viveu.
Talvez a nostalgia seja mesmo um caminho largo, mas quanto mais largo, mais gente posso levar comigo, e assim, mato um pouquinho a minha saudade.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Ano Novo?
Tal qual uma criança recém-nascida, 2010 também precisa de um nome e sobrenome. E se fosse exigido certidão de nascimento, registraria como Ano Inicial do Desafio.
Começou pipocando de formaturas, com mais de seis mil quilômetros rodados por esse Brasil e uma carga enorme de ansiedade. Pra você talvez seja apenas um ano a mais no calendário, sem novidades, com o mesmo emprego, mesma forma de organizar os armários, mesma disposição dos móveis da sala, mesmo penteado e com as mesmas promessas de todo início de ano que se perdem depois dos últimos fogos de artifício...mas para mim ele será um furacão.
Faculdade concluída, formatura chegando e uma responsabilidade intrínseca de começar a viver da forma mais digna que existe: comendo do próprio trabalho.
Não vou fantasiar aqui que 2010 será o meu ano, ou o ano da minha vida, nem nada disso, porque a mudança acontece a partir de uma decisão, independente se o ano começou ou se está pela metade. Mas a idéia de dividir o tempo em anos é, de uma certa forma, bem inteligente. Traz um poder de renovação, que na verdade não existe, mas é bom acreditar que ela pode acontecer.
A palavra furacão traz ligado a si uma idéia de destruição, e é bem isso.
Ele passa voando e é impossível não perceber que esteve ali. Mas depois da destruição sempre vem a reconstrução.
2010 será assim. Passará voando e será inadmissível não haver mudanças.
E se elas não existirem, é porque não houve vontade de reconstruir-se.
Corra. Ainda lhe restam 7.800 horas...
E já que esse ano será o ano da sustentabilidade, enfie num saco plástico biodegradável o lixo de 2009 e recicle o que puder em 2010.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Crônica

Não foi por acaso que ele estava ali, muito menos por conveniência. Foi apenas pelo fato de estarem inseridos no mesmo ambiente e dividirem a mesma realidade. Talvez se ela estivesse em outro estado, encontraria outra pessoa que despertaria nela os mesmos sentimentos.
Por este motivo ela não acreditava que ele era o único por quem se interessaria, mas sabia que naquele momento era ele quem perturbava os seus pensamentos.
Sempre muito pé no chão (enterrados, na verdade) fingiu não notar o interesse do rapaz e nem criar qualquer expectativa. Ele entretanto, a observara e podia descrever, com detalhes minuciosos, toda a movimentação da moça, desde os dez minutos em que dividiram o mesmo espaço.
Como já se conheciam de um aniversário de um amigo em comum, começaram a conversar sobre assuntos triviais: tempo, faculdade, amigos em comum, família. A conversa se estendia e se aprofundava, até que o rapaz perguntou sobre os relacionamentos amorosos da moça.
Ela desconversou, ruborizou as bochechas e saiu pela tangente.
E ele insistia. Com persistência, colheu informações suficientes para começar de novo e instigar novas respostas.
Depois de experiências frustradas, ambos deram-se oportunidades.
Oportunidade de desfrutar de um sentimento que os tornaram bobos, infantis, idiotas, mas únicos. A tal da Paixão.
Agora eles estão com outros objetivos: tranformá-la em Amor.
O mais bobo de todos, se assim for possível.
♥ ♥ ♥
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Cobrança
É incrível como as pessoas têm o dom de concentrar-se na vida alheia.Não contentes, precisam alimentar-se do reflexo do outro, já que não conseguem ser o próprio espelho.
Num desses fins de tarde, no meu momento filosófico, sentei na sacada olhando pro nada e pensei: “Isso não vai acabar nunca?” E eu mesma concluí : “– Não! Pelo menos enquanto existir pessoas!” Isso. Mas isso o que?
A cobrança.
Numa linha cronológica e num ciclo vicioso ela sempre existirá, quer ver só?
Logo na idade pré-escolar seus pais lhe cobram um desempenho escolar acima do vermelho. Então, empenha-se todo o esforço e colecionam-se notas azuis.
Caminhando no tempo, chega a fase do vestibular, e antes mesmo de você decidir uma profissão já chove perguntas do tipo: já decidiu que carreira seguirá?
Escolhida a profissão, graduada e com o diploma na mão, as interrogações voltam: E agora que você se formou, vai trabalhar onde?
Concomitantemente ao lado profissional, o namoro vai de vento em polpa...até surgir :
“-Noooossa, faz tempo que vocês estão juntos né? Pretendem se casar quando?”
Casada, alguém solta: “- Já tá na hora de ter um bebê, está nos planos do casal?”
Comemorado os 3 anos do(a) garoto(a), aparece a pergunta: “- Não vão ter outro? Ele precisa de um amiguinho.”
Os filhos crescem e são colocados na escola.
O trabalho continua e as perguntas também: Quando você se aposenta?
Aposentado(a), filhos criados e vida estável, só falta lhe perguntar:
Quando você vai morrer?
É claro que existem pessoas que se preocupam com a sua felicidade e querem se sentir participantes dela. Ótimo.
Mas...será que ser feliz é uma obrigação?
E se ela, a tal felicidade, não for alcançada? Serei cobrada por isso?
Não me preocupo em ter respostas pra todas as perguntas, mas quero poder sentar na sacada daqui alguns anos e sentir a felicidade pulsando dentro de mim, sem cobrar pra estar ali, silenciosa, viva e principalmente sem perguntas.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Crônica

Depois de todas as experiências frustradas, ele decidiu abdicar. Para ele, nenhuma mulher merecia suas horas de composição ao piano, seus acordes minuciosamente escritos, suas rimas e muito menos seus pensamentos ao travesseiro. Não se envolveria com mais nenhuma delas. Pelo menos não afetivamente. Nem a decotada, nem a popular, nem a do rebolado, nem a santinha.
Mulher alguma serviria pra ele, porque até aquele momento, todas eram iguais.
Iguais no sentimento de posse, de exclusividade, de exigência e principalmente no desprezo. Umas mais delicadas, outras mais diretas, mas todas direcionadas num único norte: não te quero mais.
Decidira que mataria todas as borboletas que porventura surgissem no estômago, pregaria com alfinete num isopor e faria uma exposição intitulada “elas não mereciam viver”.
Seguiu convicto da sua indiferença para com as mulheres. Usou e abusou da carência feminina e dos hormônios aos 25 anos. Até que alguma coisa mudou.
Ela não passava de uma mulher comum. Não tinha nada de grande. Nem curvas, nem conta bancária, nem influência, nem popularidade. A única coisa que possuía eram sonhos. Gigantescos. Olhos amendoados, cabelo presos de forma desarrumada, um vestido de seda que balançava acompanhando o gingado do corpo. Estava ali, na dela.
Quando ele se deu conta, seus olhos estavam fixos nela.
Decidiu se aproximar, com uma naturalidade única. Sentou como um amigo de infância e começaram a conversar, não se importando com o barulho ao redor. Ele logo foi se apresentando e lançando suas manjadas cantadas na moça. Conforme ele falava, ela se envergonhava e não conseguia conter seu nervosismo. Mordiscava o canto dos lábios e se perguntava da onde surgira aquele rapaz impetuoso.
Tudo o que ele falava, ela o contradizia. Sabia logo de cara que ele era aventureiro e então assumiu a posição que o homem mais odeia: a indiferença. Aí ele se sentiu afrontado. Tão afrontado a ponto de querer descobrir o que ela teria de tão diferente das outras. A moça era determinada, sabia exatamente o que queria numa relação.
Doar-se.
Não apenas ser feliz, mas fazer alguém feliz ao lado dela.
Depois de algumas semanas tentando descobrir, a proximidade dos dois era fato. Ela apresentou a ele seus sonhos e o convidou a entrar neles. Então, ele parou, olhou pra dentro do seu estômago e viu inúmeros casulos lá dentro. Decidiu não abortá-los dessa vez. Sentou ao piano e passou a noite toda compondo, esquecendo-se do dia em que resolveu abdicar de um dos seus maiores sonhos:
fazer parte do sonho de alguém.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
2.1

Sempre ouvi dizer que quando a gente está para morrer, passa um filme na nossa cabeça de todos os momentos vividos. Não acredito estar perto da morte, mas nesse momento está rodando um longa metragem na minha cabeça, bem do tipo ‘baseado em fatos reais’. E como em todo filme do gênero, neste também há perdas. Mas não quero tornar este post negativista, então colocarei apenas takes felizes, já que a dor tendemos a esquecer.
Aprendi com a professora do primário que o homem nasce, cresce, reproduz e morre. Entretanto o que ela não me ensinou foi como passar por essas fases. Talvez nem ela soubesse. Foi aí que percebi que o ‘nasce’ não dependeria de mim, mas o ‘cresce, reproduz e morre’ eu teria que protagonizar, não iria ter jeito.
A primeira fase do ciclo foi fácil e rápido, eu diria. Minha irmã com 2 meses de vida e eu já estava lá, começando a desenvolver naquela meleca toda que era o útero da Dona Marlene.
O crescimento veio em diversas áreas da minha vida. Através de muitos erros e alguns acertos. Espiritualmente, aprendi muito sobre a dependência e o amor de Deus, ilimitado e genuíno e quero morrer aprendendo sobre Ele. Também cresci tendo que sair de casa cedo pra estudar, morando sozinha, criando responsabilidades, aprendendo que se privar de algo por falta de companhia só te faz cativo do desejo alheio. O amor dos meus pais e a forma com que eles acreditam em mim, não me faz apenas crescer, mas também desenvolver meu caráter e dignidade.
A última fase do ciclo, o morrer, é o que menos me assusta. Quem sabe pra onde vai, não tem porque temer.
Se eu pudesse, juntaria cada pessoa que amo, colocaria numa mochila e carregaria comigo pra onde fosse, mas não acho que uma mochila seria um lugar muito confortável.
O que quero dizer é que toda essa história de 21 anos chamada Annie foi construída por pessoas que entraram na minha vida, pegaram uma caneta e escreveram uma parte do roteiro. Mesmo essa parte sendo uma grande participação ou apenas uma discreta aparição, ela será fundamental para o resultado final.
Obrigada a cada um que me aturou nestes 21 anos.
O que eu quero de presente? Nem sua sms, nem seu parabéns via MSN, muito menos seu scrapt.
Quero que pegue sua caneta e já vai pensando no roteiro do próximo filme.
To be continued....
ps.: Se sobrar um tempinho, venha me dar um abraço ou me ligue!
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Simplicidade
Tocos de árvores trazidos do sítio funcionavam como bancos, cadeiras de fio eram colocadas na calçada e dali a alguns minutos os vizinhos se achegavam, com as suas garrafas de chimarrão, suas crianças e suas conversas embaladas.
Não precisava acabar a energia para que essa cena se repetisse. Era corriqueiro. Ficava pendurada no colo da minha mãe até que ouvia uma gritaria ‘quem quer brincar de pique no ar põe o dedo aqui que já vai fechar e não vai de-mo-rarrrr, tá com você!’ e logo esquecia daquele colo quentinho. Eram compartilhadas histórias, risadas, tristezas e muito amor. Lá a amizade existia.
Naquela rua eu fui feliz, da melhor forma que uma criança poderia ser. Jantava na casa de todos os vizinhos, roubava as flores da velhinha da frente, andava de calcinha e jogava muita areia no cabelo. Ficava na rua até ouvir os berros da minha mãe pra que entrasse. Até entrava, mas aos prantos.
Achei que aquela rua seria meu universo pra sempre. Até que percebi que a Terra também girava pra mim.
Mudei-me e deixei uma parte da minha história lá. Naquela cidade de interior no centro do país onde a simplicidade era a maior das alegrias.
Hoje não janto na minha vizinha, na verdade nem sei nada sobre a vida dela. Não sei do que ela gosta, se tem família , nem mesmo sei seu sobrenome . E talvez nem ela saiba se quem ela cumprimenta é a Annie ou a Stephanie, minha irmã.
Não tenho mais amigos pra brincar de pique no ar e nem rodas de conversas entre vizinhos sem interrupções para ver o jornal.
A maioria dos meus amigos não me ligam mais. Deixam um recado no orkut, no msn ou mandam uma sms. Tenho mais amigos virtuais que reais.
Muitos deles só lembram do meu aniversario porque o orkut os informa. Não posso reclamar, eu também sou assim. Provavelmente não sei o seu aniversário, leitor.
Queria tanto que todos os contatos do meu MSN fossem meus amigos de verdade, daqueles que almoçam na minha casa e batem altos papos com a minha mãe, que caíssem na gargalhada comigo, que tirassem sarro da minha cara e que estivessem presentes pra rodear a mesa do bolo na hora de apagar as velas e bater a foto.
Na verdade o que eu queria mesmo era voltar para aquele tempo, em que não era necessário motivos pra se reunir.
Sinto saudade da Rua Caiçara, lá existia amor nos relacionamentos e as pessoas eram palpáveis.



